pesadas portas de pedra que bloqueariam o corredor após o funeral. Bem debaixo do poço, na parede oeste do corredor, existe um umbral (6) que dá acesso a uma passagem em "L" (mostrada apenas na segunda ilustração) que, por sua vez, conduz a uma série de 132 armazéns
subterrâneos (7). Eles estão dispostos, de forma desencontrada, em ambos os lados de um corredor em nível que corre inicialmente de leste a oeste e prossegue em ambas as extremidades com braços que se projetam na direção sul. A partir da entrada que dá acesso a tais armazéns, o corredor principal continua em declive até se tornar plano a poucos metros de distância da câmara funerária
(8). Esta, cavada de forma rústica, é um compartimento medindo cerca de nove metros de comprimento por cinco de largura e sua altura também é de cinco metros. Foi aberta a cerca de 30 metros abaixo da base do monumento e situada precisamente no eixo vertical da pirâmide. Mais ou menos no meio de suas paredes leste e oeste existem aberturas que vão do chão ao teto e que se aprofundam por cerca de dois metros na rocha e cuja finalidade não se conhece. Na parede sul um limiar leva a uma galeria sem saída (9) e existem outras três semelhantes nas proximidades (10) as quais, provavelmente, estavam destinadas a receber em suas paredes decoração em relevo, representando o faraó oficiando cerimônias religiosas.
Os arqueólogos encontraram o corredor principal selado por espessas paredes de pedra em três pontos: na entrada, debaixo do poço vertical e na entrada da câmara funerária. Encontraram, também, uma coleção de jóias de ouro, certamente fabricadas no decorrer da III dinastia (c. 2649 a 2575 a.C.), embaixo do poço vertical. Dentro do poço foram achados ossos de vários animais, inclusive de bois, de carneiros e de gazelas que eram, sem dúvida, oferendas ao defunto. Também desenterraram 62 papiros da XXVI dinastia (664 a 525 a.C.) e sob eles estavam cerca de 700 recipientes de pedra.
Na câmara funerária, por sua vez, havia um sarcófago fechado sobre o qual havia fragmentos de madeira dispostos em círculo que à primeira vista pareciam uma coroa de flores. Tal sarcófago foi escavado em um único bloco retangular de alabastro e não possuia uma tampa convencional na parte superior. A abertura situava-se em uma de suas extremidades e era fechada por um painel corrediço que podia ser baixado e suspenso por meio de uma corda que passava através de uma chanfradura em forma de "U" no topo do painel. Tanto nas laterais quanto em sua base, o painel possuia saliências que se encaixavam em entalhes abertos nos lados e na base da abertura do sarcófago. Quando encontrado, havia uma espécie de argamassa nos encaixes do painel com o sarcófago, o que parecia indicar que a tampa não havia sido movida desde o momento em que fora colocada em seu lugar durante o funeral. Entretanto, o sarcófago estava totalmente vazio. Duas possíveis explicações existem para o fato: ou a múmia e todos os seus ricos pertences foram roubados com a conivência dos responsáveis pelo funeral, ou essa pirâmide era apenas um cenotáfio.
A muralha que cercava o conjunto funerário foi encontrada apenas parcialmente intacta e é formada por um núcleo espesso de rochas revestidas por pedra calcária branca da melhor qualidade. Assemelha-se muito à do faraó Djoser, apresentando também bastiões retangulares de tamanho uniforme e outros de maiores dimensões. Alguns deles são falsas portas e provavelmente havia só uma porta verdadeira no complexo inteiro, a qual nunca foi achada. A muralha provavelmente atingia cerca de dez metros de altura, dispondo de calçadas e postos para sentinelas em seu topo. As paredes desse perímetro foram erguidas em duas fases. Na primeira, formava um retângulo menor que depois foi estendido para o sul e, principalmente, para o norte. Com tais extensões, aproximou-se do tamanho do complexo de Djoser. A exemplo de seu pai, Sekhemkhet também construiu uma mastaba de blocos de pedra no lado sul de sua pirâmide. Media 32 metros de comprimento por 16 de largura. Sob a extremidade oeste da construção havia um poço que atingia a profundidade de cerca de 29 metros, onde desembocava no teto de uma passagem em nível que dava acesso à câmara funerária. Após o sepultamento o poço foi obstruído com areia e pedras. Apesar da câmara ter sido saqueada em tempos antigos, arqueólogos ainda encontraram nela fragmentos de folhas de ouro gravadas em relevo com um padrão de canas de junco, alguns vasos de pedra, vasilhames de barro, ossos de animais e um esqueleto de criança em um ataúde de madeira.