HOME PAGE
LOCALIZAÇÃO DE TEBASTebas estava magnificamente situada; — nos conta o egiptólogo Arthur Weigall — graças às belezas naturais da região, sua posição extremamente favorável tornava-a sem igual. Essa cidade se erguia sobre a margem leste do rio; vastos campos e palmeiras separavam-na das colinas do deserto do leste que formavam o horizonte. À sua frente, na outra margem do rio, uma faixa verdejante de apenas um ou dois quilômetros se estendia das margens arenosas do Nilo at้ o cascalho e as rochas amontoadas ao pé das terríveis falésias e precipícios do deserto ocidental, panorama majestoso do qual os olhos não conseguem se desviar.

Quando o vento dominante do nordeste sopra com força, o grande rio cobre-se de pequenas ondas e as árvores da margem oposta se curvam e sussuram sob seu sopro, enquanto que bem alto, no profundo azul do céu, centenas de abutres, muito comuns em todo o Egito, revoam e despencam como gaivotas fazendo ouvir seu grito melancólico. Mas nos dias calmos, quando a superfície da água é como um espelho, os campos e as árvores, as colinas banhadas de sol, um céu sem nuvens, toda a paisagem é por sua vez parada e imaterial como num sonho — encerra o autor.

Não se sabe bem porque, mas foram os gregos que batizaram essa cidade de Thebai, Tebas em português, mas os egípcios a chamavam de niwt, que significa simplesmente "Cidade", ou niwt-rst, "Cidade do Sul". Situada aproximadamente a 800 quilômetros ao sul do Mediterrâneo, na margem oriental do Nilo, ela era a capital do quarto nomo do Alto Egito, Waset, termo que também era usado para designar a cidade. Ela foi capital do Egito durante parte da XI dinastia (c. 2040 a 1991 a.C.) e durante quase toda a XVIII dinastia (c. 1550 a 1307 a.C.), embora a administração tenha permanecido, provavelmente, em Mênfis em grande parte desse último período. Com o advento da XIX dinastia (c. 1307 a 1196 a.C.) o aparato governamental transferiu-se para o delta do Nilo. A situação geográfica de Tebas contribuiu bastante para sua importância histórica, já que ficava perto da Núbia e do deserto oriental, com seus valiosos recursos minerais e rotas comerciais, bem como distante dos centros de poder restritivos do Norte. O poeta grego Homero, que viveu no século IX a.C., no Livro 9 da sua Ilíada, exaltou a riqueza de Tebas, que chamou de cidade das cem portas e na qual montões de lingotes preciosos reluziam.

Os soberanos locais de Tebas dos princípios da história egípcia seguiram políticas expansionistas ativas, sobretudo durante o Primeiro Período Intermediário (c. 2134 a 2040 a.C.) e o Segundo Período Intermediário (c. 1640 a 1550 a.C.). Durante este último período tais políticas foram disfarçadas como uma reação egípcia contra os hicsos. Antes do final do Império Antigo (c. 2575 a 2134 a.C.) Waset era pouco mais do que uma cidade de província. Nessa época a residência e tumbas dos reis e a maioria dos túmulos dos nobres foram construídos principalmente em Saqqara, perto de Mênfis, mais próximo do delta nilótico. Durante a XI dinastia iniciou-se a ascensão de Tebas a um lugar de destaque. Os governantes locais eram aparentemente da família Inyotef, os quais, desde logo, começaram a escrever seus nomes em cartuchos. O segundo com este nome, Inyotef II (c. 2118 a 2069 a.C.), até mesmo intitulou-se Rei do Alto e do Baixo Egito, ainda que seu poder não se estendesse muito além da própria região tebana. Finalmente, um certo Mentuhotep (c. 2061 a 2010 a.C.), cujo nome significa Montu está satisfeito, parece ter tido o mérito de reunir todo o Egito novamente sob um mesmo rei. Reinou por 51 anos e construiu um templo em Deir el-Bahari, o qual, provavelmente, serviu de inspiração para o templo posterior e maior construído nas proximidades por Hatshepsut (c. 1473 a 1458 a.C.).

Tebas recuou politicamente quando Amenemhet I (1991 a 1962 a.C.), no início da XII dinastia (1991 a 1783 a.C.), decidiu transferir a capital de retorno ao Norte do país, para um local chamado Iti-tauí. Apesar disso, a cidade continuou sendo considerada o centro administrativo do Alto Egito meridional e assumiu um novo papel como centro religioso do Egito quando seu deus Amon foi promovido a divindade principal. A ruína mais antiga de um templo dedicado a Amon data do reinado de Sesóstris I (1971 a 1926 a.C.).

O auge da cidade ocorreu durante a XVIII dinastia. Nessa época ela passou novamente a ser a capital do país e tornou-se repositório da imensa riqueza que afluiu dos países conquistados. Foi então que Tutmósis I (c. 1504 a 1492 a.C.) tornou-se o primeiro a mandar cavar o seu túmulo no Vale dos Reis. Nessa necrópole tebana, reis e nobres foram sepultados com grande esplendor em cavernas cortadas nas escarpas da margem oeste do Nilo. Naquele período, conforme nos ensina o egiptólogo John Baines, os seus templos eram os mais importantes e ricos e os túmulos, preparados, na margem ocidental, para a elite dos seus habitantes, os mais luxuosos que o Egito alguma vez viu. Mesmo quando, em finais da XVIII dinastia, e durante o período dos Raméssidas, a residência e o centro das atividades reais se transferiram para o Norte, para cidades como Tell el Amarna e Mênfis, os templos tebanos continuaram a prosperar, os monarcas continuaram a ser enterrados no Vale dos Reis e a cidade a manter uma certa importância na vida administrativa do país. Durante o Terceiro Período Intermediário (c. 1070 a 712 a.C.), Tebas, tendo à sua frente o sumo sacerdote de Amon, contrabalançou o reinado dos faraós das XXI (c. 1070 a 945 a.C.) e XXII (c. 945 a 712 a.C.) dinastias, cuja sede de governo era em Tanis, no delta. A influência de Tebas apenas terminou no Período Tardio (c. 712 a 332 a.C.). Tebas foi saqueada pelos assírios em 661 a.C. e pelos romanos em 29 a.C. Por volta do ano 20 a.C. um grego que visitou o local informou que só existiam na região algumas poucas aldeias espalhadas.

Os restos arqueológicos de Tebas oferecem um testemunho notável da civilização egípcia em seu auge. Os templos e túmulos que sobreviveram, inclusive as tumbas de Tutankhamon (c. 1333 a 1323 a.C.) e dos filhos de Ramses II (c. 1290 a 1224 a.C.), estão entre os mais grandiosos do mundo e o local foi cena de muito trabalho arqueológico importante. A parte principal e, provavelmente, mais antiga da cidade e os templos mais importantes ficavam na margem oriental do rio Nilo. Ali estão os templos de Luxor e Karnak. LUXOR Durante o Império Novo (c. 1550 a 1070 a.C.) e tempos posteriores a cidade se estendia entre eles ao longo da avenida de esfinges que os unia.
A área agora está quase completamente coberta pela cidade moderna de Luxor. Na realidade, Luxor (Os Palácios) e al-Karnak são os nomes árabes modernos das cidades localizadas nos ou próximas dos locais de dois importantes templos que se situavam nos arredores de Tebas. O templo de Amon, em Luxor, é em grande parte das épocas de Amenófis II (c. 1427 a 1401 a.C.), Ramsés II e Alexandre Magno (332 a 323 a.C.). Na foto acima vemos o grande pátio de Amenófis II.

KARNAK Em Karnak estão os recintos de Amon, Montu e Mut, com o templo de Khons e numerosos templos e capelas menores da XII dinastia e do Período Greco-Romano (332 a.C. a 395 d.C.).
Ao lado um detalhe sugestivo da grande sala hipóstila do templo de Amon. Nenhum edifício sobrevive em Tebas que seja mais antigo do que as ruínas do complexo de Karnak datadas do Império Médio (c. 2040 a 1640 a.C.). Entretanto, a parte inferior de uma estátua do faraó Neuserre (c. 2416 a 2392 a.C.), da V dinastia (c. 2465 a 2323 a.C.), foi achado naquele conjunto de templos.

Do outro lado do rio, ou seja, na margem ocidental, ficava a necrópole, com túmulos e templos funerários, mas também a parte ocidental da cidade. Ali estava o palácio de Amenófis III (c. 1391 a 1353 a.C.) e, durante o período dos Raméssidas, a própria cidade de Tebas estava centrada a norte, em Medinet Habu. Grande parte das construções eram templos mortuários destinados a manter o culto dos reis falecidos e enterrados nas tumbas cavadas nas escarpas mais a oeste. Nessa margem oeste foram erguidos, em Deir el-Bahari, os templos funerários de Mentuhotepe I (c. 2061 a 2010 a.C.) e Hatshepsut e o templo de Amon mandado construir por Tutmósis II (c. 1492 a 1479 a.C.). O templo funerário de Ramsés II, conhecido atualmente como Ramseum, o templo de Amon, da XVIII dinastia e posterior, e o templo funerário de Ramsés III, estes dois últimos em Medinet Habu, além de outros templos funerários, em particular os de Seti I (c. 1306 a 1290 a.C.) e Amenófis III, com os Colossos de Memnom, estão todos na margem ocidental. Nesse mesmo lado podemos encontrar túmulos reais de diversas dinastias como a XI (c. 2134 a 1991 a.C.), a XVII (c. 1640 a 1550 a.C.) e, no chamado Vale dos Reis, os da XVIII (c. 1550 a 1307 a.C.), inclusive o de Tutankhamon, os da XIX (c. 1307 a 1196 a.C.) e os da XX (c.1196 a 1070 a.C.). Na mesma margem encontram-se túmulos particulares datados desde a VI dinastia até o Período Greco-Romano (332 a.C. a 395 d.C.) e, finalmente, uma aldeia de trabalhadores em Deir el-Medina. Templos dedicados a Hátor, Thoth e Ísis, todos do Período Greco-Romano também foram erguidos na área.