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VALE DOS REISO Vale dos Reis, além de ser o local onde foi descoberta a famossíssima tumba de Tutankhamon (c. 1333 a 1323 a.C.), abriga o túmulo dos filhos de Ramsés II (c. 1290 a 1224 a.C.). Neste último foram achados 130 corredores e câmaras, o que o torna o maior do local e um dos maiores do mundo. Com o avançar das pesquisas, aquele número pode, talvez, chegar a 200. São 63 os túmulos já encontrados pelos arqueólogos naquele vale, denominados de KV1 a KV63 de acordo com a ordem cronológica da descoberta. Suas paredes eram esculpidas e pintadas com magníficos murais mostrando cenas da vida cotidiana egípcia e da terra dos deuses. Nas câmaras eram armazenados tesouros: tudo que uma pessoa necessitaria para manter a vida na eternidade, de móveis a comida, estátuas, embarcações e jóias. A grandeza destes tesouros é apenas sugerida pela sepultura relativamente modesta de Tutankhamon, cuja tumba é pequena e simples se comparada com o que devem ter sido as de outros soberanos. Não foi à toa que os faraós chamaram o vale de A Grande e Majestosa Necrópole.

Supunham os faraós que o vale seria ideal para abrigar seus corpos. Escondido num local solitário preservaria suas múmias e riquezas por toda a eternidade. Hoje, ironicamente, as tumbas, enterradas no fundo do coração da montanha, são uma das atrações turísticas mais populares do mundo. O Vale dos Reis, parte da antiga cidade de Tebas, foi o local de sepultamento de quase todos os faraós da XVIII, da XIX e da XX dinastias que reinaram, aproximadamente, entre 1550 e 1070 a.C., um período que se convencionou chamar de Império Novo. Durante o auge da riqueza e poderio do Egito antigo, artistas e pedreiros cavaram e decoraram quilômetros de corredores subterrâneos para a vida após a morte de dezenas de reis, suas esposas, filhos e principais ministros. A maioria das câmaras sepulcrais foi saqueada na antiguidade, muitas pelos próprios sucessores de seus proprietários, como também pelos trabalhadores que construíram as tumbas. Após o reinado caótico de Ramsés XI (c. 1100 a 1070 a.C.), os enterros no vale cessaram abruptamente. Após sua morte, a milenar unificação do Estado egípcio se quebrou. O vale, antes constantemente policiado, foi pilhado repetidamente por centenas de anos. Nenhuma tumba conhecida sobreviveu completamente incólume. Até mesmo a tumba de Tutankhamon foi roubada mais de uma vez antes do arqueólogo britânico Howard Carter descobri-la em 1922.

O Vale dos Reis, situado a 643 quilômetros ao sul do Cairo, na margem oeste do Nilo, no lado oposto ao da atual cidade de Karnak, é rodeado por escarpas íngremes formadas por rochas calcárias. Nelas ficavam postados guardas que, tendo uma visão privilegiada do local, o protegiam contra invasores. Os operários que construíram os túmulos viviam numa vila próxima e escondida, Deir-el-Medina, sobre uma das colinas da região. Todos os materiais necessários à construção dos túmulos vinham da capital do país, Tebas, que ficava nas proximidades.

O vale é, na realidade, um grupo de wadis, ou seja, um grupo de gargantas sinuosas e profundas cavadas por um curso de água que secou. São dois braços principais que separam a área nos Vales Oeste e dos Macacos. Existem ainda vários tributários menores. O assim chamado Pico Tebano pode ser visto a sobranceiro dos túmulos. Seu formato de pirâmide talvez tenha sido uma das razões pelas quais os faraós escolheram esse local para suas últimas moradas. A maioria das tumbas reais está no braço leste, escondidas no topo das escarpas ou cavadas, como a tumba de Tutankhamon, no chão do vale.

No século XVIII da nossa era, alguns exploradores e aventureiros descreveram o vale e seus túmulos, mas seus relatórios eram simplesmente observações e não houve tentativas sistemáticas de escavação. No século XIX, Giovanni Battista Belzoni, curiosa figura da egiptologia que houvera sido, inclusive, atração circense por sua força descomunal, descobriu oito tumbas na região. A exploração arqueológica do Vale dos Reis começou seriamente nas primeiras décadas do século XX, quando foram desenterradas mais de 30 tumbas nas escavações financiadas pelo milionário Theodore Davis e das quais participou o jovem Howard Carter.

Quando Davis, em 1912, acreditou que nada mais havia para ser descoberto no local e parou de escavar, ironicamente a dois metros da entrada da tumba de Tutankhamon, Carter prosseguiu. Agora o financiamento vinha de Lord Carnarvon, um homem que tinha dinheiro para queimar e queria fazê-lo escavando no Egito. Depois de anos de procura nos quais acharam importantes objetos do ponto de vista arqueológico, mas não o pomo dourado que esperavam, e estavam prestes a desistir, numa última tentativa finalmente atraíram a atenção mundial com a descoberta da tumba do rei Tutankhamon.

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